O que se pode dizer de um grupo tão extraordinário como The Blues Brothers Band. Originalmente formado por Dan Aykroyd e John Belushi, os dois comediantes criaram um esquete para
o programa Saturday Night Live da televisão norte-americana.

Na primeira aparição, a dupla vestiu uma roupa de abelhinha e cantou "I'm a king bee" ("Sou uma abelha-rainha" em português), música de Muddy Waters, eternizada na voz de Mick Jagger no segundo disco dos Rolling Stones de 1964. No início, os dois comediantes tocavam com os integrantes da banda do programa Saturday Night Live, entre eles, Paul Shaffer nos teclados, Lou Marini no saxofone-alto, Tom Scott no tenor, Tom Malone no trombone e Alan Rubin no trumpete.

A idéia para um show de ano novo partiu da popularidade do quadro, dos irmãos blues, mais conhecidos como "Blues Brothers". Paul Shaffer ajudou os irmãos blues a escolherem o resto da banda. Eles convidaram os guitarristas Matt Murphy e Steve Cropper, famosos por tocarem em bandas soul dos anos 60 e o legendário baixista Donald Dunn, que havia marcado o ritmo para ninguém menos que Otis Redding. Na bateria chamaram Steve Jordan, ele não é parente... O show aconteceu no Winterland Ballroom em São Fancisco no ano novo de 1977. Foi apenas um show de abertura para um espetáculo do comediante Steve Martin, e chamou atenção de diversos atores famosos, entre eles Jack Nicholson, que ficou pasmo com a performance da banda.

O show foi lançado em 1978 com o nome "Briefcase full of blues", e foi um sucesso de vendas. O mesmo show vi
rou um disco pirata com o nome "
Live on new year's eve", ou "Live at Winterland". Este disco pode ser encontrado no site "
Blues Brothers Central". O fato impulsionou Dan Aykroyd a escrever um roteiro com a dupla como personagens principais. O roteiro foi lapidado por John Landis, que vinha do sucesso de "Clube dos cafajestes" ("Animal house" em inglês), e conseguiu financiamento e a confirmação de várias estrelas da música soul norte-americana.

O filme foi um sucesso e gerou uma continuação sem o mesmo sucesso, rendendo também inúmeros discos com a banda. Como curiosidade, no filme Tom Scott, saxofonista da banda
não conseguiu liberação de sua imagem e não gravou nenhuma cena. Porém, as músicas foram gravadas com dois saxofones e no filme só aparece um saxofonista. Outro fato curioso, é que Paul Shaffer, que era o pianista oficial dos Blues Brothers também não conseguiu liberação para aparecer no filme, e quem apareceu em seu lugar foi Murphy Dunne, que ficou famoso como o pianista dos Blues Brothers. Paul Shaffer toca piano no programa de entrevista de David Letterman. Sim, ele é aquele carequinha de voz rouca, que também marcou presença na continuação "Blues Brothers 2000", também dirigida por John Landis em 98.

Pra quem não curte blues ou jazz, como aula inaugural eu recomendo a audição de "Sweet home Chicago". Prestando atenção no primeiro solo, o de guitarra, depois Aykroyd e Belushi cantam novamente o refrão e entra o solo de saxofone-tenor de Tom Scott. Depois de tanta barulheira, Alan Rubin e
ntra com seu trumpete apavorando, seguido pelo saxofone-alto de Lou Marini. Murphy Dunne segue solando no piano e depois a metaleira toma conta da música. Se você espera que eu termine a resenha com o final apoteótico da música de oito minutos, se enganou. Ainda peço uma segunda audição, mas desta vez abaixe os agudos e aumente os graves de seu radinho. Preste atenção na maestria do baixo de Donald Dunn. Preste atenção na hora do solo de saxofone-alto, depois na entrada do piano e quanto a banda toda se junta é o baixo quem comanda. Se você prestar bem atenção, na música inteira, vai reparar muito bem que é o baixo quem comanda a música do início ao fim. Daí pra perceber o motivo porque o próprio John Belushi anunciava Dunn nos shows como o melhor baixista do mundo. Exageros a parte, mas essa afirmação tem um pouco de verdade.

Depois do filme, os Blues Brothers lançaram outro disco ao vivo em 1980 ainda com John Belushi, e um compacto no mesmo ano contendo duas músicas inéditas gravadas em estúdio, "Excusez moi mon cherrie" e "Expressway to your heart". John Belushi morreu, levando com ele os sonhos dos fãs do som da banda e da dupla de comediantes, de um dia verem uma seqüência do filme, com os irmãos blues originais. Dez anos depois a banda se reuniu no disco "Ao vivo em Montreux", com Larry Thurston e Eddie Floyd nos vocais, mas o instrumental era o mesmo, com exceção de Leon Pendarvis nos teclados e Danny Gottlieb na bateria. Dois anos depois, em 1992, a banda lançou um disco de estúdio, "Red, white & blues", também com Thurston e Floyd nos vocais e a participação do próprio Dan Aykroyd tocando harmônica e cantando algumas canções.
Em 1997 Dan Aykroyd se uniu ao irmão de John, Jim Belushi, e tocaram ao vivo no House of Blues em Chicaco. O show virou disco, também com Floyd e Tommy McDonnell nos vocais, e foi muito bem recebido pela crítica. Em 1998 o segundo filme veio, trazendo a participação de John Goodman, Joe Morton e Evan Bonifant nos vocais. Eddie Floyd aparece como convidado, ao lado de Johnny Lang, B.B. King, Sam Moore, Wilson Picket, Erykah Badu e os habituais James Brown e Aretha Franklin. No ano seguinte John Goodman, Jim Belushi e Dan Aykroyd tocaram juntos no House of Blues de Las Vegas.

Assim como o disco ao vivo de 1978, outras gravações piratas podem ser encontradas no site "
Blues Brothers Central". O show "
Live at Universal Amphitheatre", de 1980, e a apresentação de 1992 "
Blues for you", com Larry Thurston e Eddie Floyd nos vocais. O registro do show em 1999, "
Live from House of Blues in Las Vegas", com Jim Belushi, Dan Aykroyd e John Goodman nos vocais, também pode ser encontrado.
BLUES BROTHERS AT SATURDAY NIGHT LIVEBlues Brothers – I'm a king bee
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