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Nova Hospedagem e Montagem: Neide
Mais uma vez meus agradecimentos (adiantados) ao JH, pois são dele os créditos da hospedagem original do álbum
Lost Paris Tapes.
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Começo aqui uma terceira e curtinha série de textos (em paralelo ao Van Gogh e ao Poe), desta vez sobre este livro de Wallace Fowlie, lançado aqui no Brasil pela Editora Campus.
As pesquisas históricas e literárias feitas por este autor são extremamente
fortes e interessantes...
Quem tiver a oportunidade, leia este livro pois é ótimo!

"O jovem rebelde vive num mundo à parte. A sociedade de classe média, de onde normalmente ele vem, tem diversos nomes para designá-lo : rascal ('malandro'), hoodlum ('arruaceiro'), ruffian ('rufião') - , em inglês. O francês usa o termo mais forte voyou (reunindo agressividade, estupidez, grosseria e vandalismo em seu sentido), para o qual não existe equivalente exato na língua inglesa. Combina a idéia de comportamento problemático com a tendência a cometer atos ilícitos.
Entretanto, o jovem rebelde não habita sozinho esse mundo. Ele representa uma longa linhagem, e, hoje, possui um irmão que nunc! a se encontra muito afastado dele. Esse irmão, em diferentes épocas, chama-se palhaço, saltimbanco, bufão. Já foi chamado de jogral. Já foi chamado inclusive pelo nome mais refinado de arlequim. E, de tempos em tempos, o destino lhe empresta o pomposo nome de poeta.
Podemos distinguir dois tipos de rebeldes: o humilde, nascido no meio do povo, e que passa sua vida a alguma distância do conforto burguês; e o rico, nascido no seio da burguesia, e que passa sua vida a alguma distância dos antros de má reputação do verdadeiro voyou. Os dois são os tipos taciturnos da sociedade. O palhaço promove rituais sem palavras, assim como a poesia sempre exalta alguma voz deliberadamente silenciada.
O rebelde e seu irmão, o palhaço, nos ensinam que nenhuma fantasia é verdadeira, e que a alegria, em seu estado puro, não pe! rtence ao homem. Uma sina inexplicável parece se impor sobre cada pes soa ao nascer, e somos ou privilegiados ou condenados. O rebelde permanece livre em suas fugas. O voyou é o homem que foge de tudo que normalmente prende os outros homens: estudo, família, dever cívico, religião. O voyou é o aventureiro das distâncias, das estradas intransitáveis, da imensa liberdade das cidades e dos campos.
No raiar da poesia francesa, muito antes do tempo de Rimbaud e do interesse de Morrison pelo poeta francês, assistiu-se ao advento de um primeiro modelo desse voyou bufão, que eu gosto de considerar como fundador de uma genealogia de homens que vivem destacados de sua vida real, e cuja única força era sua poesia. Refiro-me a uma pequena obra do final do século XII, escrita no idioma da Ile-de-France (esse idioma era o romanço ou românico, um estágio intermediário entre o latim vulgar e o futuro francês, que era falado na atual região de Paris). Seu autor é desconhecido, mas a piedade que ele põe em sua história e a compaixão que dedica a seu herói provam que compreendia o ofício do palhaço e o ofício do poeta, que talves sejam idênticos.
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O título do poema, "Le Jongleur de Notre Dame", aponta a aparente contradição contida nessa dupla vocação: o homem que diverte o público nas ruas e praças, e sua outra aventura, a devo�! �ão religiosa. Ao abandonar o mundo das ruas e praças pelo mundo sil encioso e recluso do monastério, esse jogral descobre que a vocação de saltimbanco é sua única via de santificação e sua única realidade. O recente amor por Deus, pelo qual ele deseja viver, é indissociável de suas bufonarias. Ele deve servir Nossa Senhora por meio do único ofício que conhece. A pureza de suas intenções – sua dança será uma forma de prece – converte a diversão popular em celebração religiosa.
À noite, na capela de Nossa Senhora, onde acredita estar sozinho, ele dança diante da estátua da Virgem e oferece a ela seus mais extraordinários e extenuantes malabarismo e acrobacias. Todos os movimentos ágeis e cômicos do jogral, que antes encantavam ou entediavam as platéias nos feriados, agora se convertem num ato de adoração.
O jogral do século XII prefigurou o poeta do século XV François Villon. Ambos conheceram uma existência ao modo do voyou. O jogral vivia para uma platéia volú! vel e galhofeira que ele só era capaz de prender com os elementos grotescos de suas momices. A platéia de Villon compunha-se de amigos voyou e de criminosos que só prestavam atenção nos trechos vulgares ou obscenos de suas ballades. Quando o jogral morreu, sua arte desapareceu com ele. A arte de Villon começou a viver depois de sua morte.
Villon era mais voyou do que o jogral de Notre Dame. Sua alma parece não conhecer limites quando consideramos os papéis que ele assumiu: mártir, amante, pecador, criminoso de miserável condição social, condenado enforcado, voyou.
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Villon '
Quase três séculos separam o jogral do poeta Villon; outros três séculos separam Villon de Rimbaud. Em Rimbaud, o maior voyou da poesia moderna, surpreendemos o mesmo desejo (ou talvez o mesmo sofrimento) de assumir diferentes papéis e de se esconder atrás de diferentes máscaras.
A vida de Rimbaud foi uma série ininterrupta de partidas. Nenhum poeta burilou mais do que ele o tema da fuga e da evasão. Ele conhecia a vida de vagabundo e andarilho assim como Villon, e, também como Villon, conheceu a fome e a pobreza. Ele esmolou à beira das estradas, na porta das casas e das casernas. Foi o homem predestinado a deixar Charleville e as margens do Meuse, como Dante precisou deixar Florença e as margens do Arno.
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Rimbaud '
E, mesmo assim, a casa passo das travessias desses poetas, a mesma inquietação se apodera deles. Rimbaud em Paris, na casa de Verlaine, e no meio de alguns dos mais célebres poetas daquele século, lembrava o jogral da Idade Média entre os monges. Lembramos instintivamente de Jesus entre os doutores do Templo ou do albatroz de Baudelaire, entre os marinheiros que se põem a torturá-lo e a escarnecê-lo.
Hoje,! Rimbaud é uma das maiores figuras míticas da literatura. A históri a de sua vida possui todos os elementos necessários para a criação de um mito. Antes de completar vinte anos, quando abandonou toda a atividade literária, já havia atingido a maturidade estilística e a total proficiência em francês e em latim. Depois de perambular pela Europa, trocou-a pela Abissínia, onde se envolveu em diversos comércios. Explorou territórios não-mapeados para a Société de Géographie, da França. Acometido de um câncer ósseo, sua perna foi amputada. Sua vida, precoce e meteórica, é freqüentemente comparada com a de Mozart, que morreu aos 35 anos.
Ele se tornou o poeta da juventude, assim como Jim Morrison se tornou o poeta-cantor dos jovens. A sede de liberdade, de aventura e de auto-expressão desses dois homens atrai os jovens e quem quer que se encontre sequioso de liberdade e de novos começos.
A geração de jovens que aderiu a contracultura nos anos 60 escolheu Jim como sua grande estrela. Eles acompanharam os passos do ! The Doors. Conheceram sua história des